segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Mas ainda sei me virar.

Ando boba. Daquelas de querer sair dando bom dia à cavalo, de querer saber tudo sobre a vida de qualquer pessoa, de querer passar horas e horas sentada em algum banco de praça sem ter a menor pressa de voltar pra casa enquanto a vida passa.
É uma bobice tão indefinida que, enquanto a amiga diz que é "porque tá apaixonada", a irmã já pergunta se ando chateada. Não. Não é paixão, não é chateação. É bobeira mesmo.
É uma vontade tão grande de abraçar quem quer que apareça e de receber o abraço de quem tanto me faz bem. É fome de alegria! A necessidade de falar tanto pra tanta gente é tão grande que provavelmente esse mundão de Deus ficaria pequeno pra mim.

É saudade... de todas as coisas que eu já fiz. Saudade da minha coragem de enfrentar a vida. Saudade de mim mesma. Só de mim.



Mais ninguém.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Tudo bem. :)

Hoje, no tumulto da rodoviária, uma velhinha furou a fila e entrou na minha frente. Achei graça por ela ficar disfarçando pra ela mesma o que todo mundo tinha visto. De cinco em cinco minutos ela olhava pra minha cara, talvez pensando "será que ela não vai falar nada?", e eu a olhava com uma cara feia de uma criança de 2 anos e meio mas não conseguia mandá-la ir para o final da fila.
Não sei se foi o tamanho cansaço que me impediu de falar, ou meus tímpanos quase estourados por causa da minha música preferida que tava tocando na hora, ou se foi Deus que calou a minha boca para que eu não começasse a falar um monte de asneiras para aquela velhinha furona de fila.
Depois de meia hora em que ela não aguentava mais olhar para mim, ela se virou e me pediu desculpas por ter entrado na minha frente. "Eu não vi que a fila terminava lááá atrás". É claro que ela tinha visto, é claro que ela sabia que ela tinha feito uma coisa errada... mas o sorriso que ela me deu ao me pedir desculpas me fez perder toda a vontade de falar umas boas para ela. "Tudo bem", eu disse. E dei um sorriso de volta.
Hoje eu tive todos os motivos do mundo para dar um xilique no trabalho e, definitivamente, jogar as cartas na mesa por não aguentar mais trabalhar tanto por tão pouco. Eu não aguento mais. Mas, ao mesmo tempo, é tão intensa a voz que eu ouço dentro de mim me dizendo para ser forte mesmo que eu continue me desmanchando em prantos feito um bebê.
Hoje eu consegui sorrir para a pessoa que eu menos suportava na vida. E foi um sorriso tão sincero que se eu tivesse que repeti-lo não conseguiria.
Hoje eu ganhei um presente de quem eu menos esperava. Ajudei quem precisou de mim. Agradeci imensamente pela vida que eu tenho, mesmo com todos os problemas, com todas as frustrações e cansaço acumulado. Hoje eu aprendi de uma só vez tudo aquilo que as pessoas que eu mais amo já me falaram a vida toda...
Mesmo com o céu nublado e um dia não tão bonito eu não sei como consegui enxergar tantas cores. E, por mais que as pessoas sejam erradas, a única coisa que eu quero é lembrar delas por coisas boas que me fizeram. Tudo já foi muito cinza por aqui. E, cinza, a gente joga no mar, onde há cores, onde há vida!
É dezembro, e não tem nada de espírito natalino. Se isso não se chama Deus, não me ensinaram outro nome.





sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ok,Pedro.


Não adianta querer vir se desculpar pelo que você aprontou ontem. Logo eu que sempre gostei tanto de você, que sempre me senti lisonjeada por você escutar todos os meus pedidos; logo eu, logo comigo, Pedro. Porque?
Eu sei que nessas últimas semanas reclamei muito de você, devo até ter te tratado mal algumas vezes, mas nada disso justifica o seu erro. Na verdade, hoje tô achando que até fiz pouco em ter te xingado um monte essa semana por você ter atrapalhado a minha vida toda. Por sua culpa eu cheguei atrasada no trabalho, por sua culpa aquele ônibus não anda, por sua culpa meu chefe tá começando a me estranhar. Você acha isso pouco?
Não é possível que você não preste atenção na hora em que eu saio do trabalho, ou na hora em que eu vou almoçar, ou, ainda, na hora em que eu saio da faculdade. Pedro, eu não fico batendo perna à toa na rua todos os dias pra você fazer de mim o que bem entender não,viu?
Definitivamente cansei de você. Não espere mais de minha parte nenhum tipo de elogio, nem nenhum pedido de manifestação sua, nem nada. Ontem foi o último dia em que eu deixei você fazer de mim o que bem entendesse. A partir de hoje nossas relações estão cortadas ou, falando na sua língua, minha admiração por você foi por água abaixo no meio daquela chuva toda que você aprontou.
Guarda chuva eu tenho,Pedro. O que anda me faltando é paciência com você. Eu saí da faculdade, do outro lado da cidade, às 10 d anoite, morta de cansada e ainda tive que aguentar aquele aguaceiro seu. Alguma vez você já ficou numa parada às 10 da noite praticamente tomando um banho a cada carro que passava, Pedro? Alguma vez você já entrou num ônibus todo molhado e teve a sensação de que as pessoas te olhavam como se você tivesse acabado de sair de uma guerra? Acho que não.
Daqui a pouco eu tenho aula e, provavelmente por saber disso, lá vem você querendo dar o ar da graça. Eu não preciso mais de você. Aliás, eu acho que você deveria era vir aqui torcer a minha calça que ainda tá encharcada até agora.
Olha, Pedro, ontem foram as últimas gotas. Fique sabendo que daqui uns dias meu carro chega e eu vou fazer questão de esfregar nessa sua cara lavada que eu não preciso ser mais uma vítima dos seus xiliques chuvosos. E, se eu alcançar, termino de quebrar meu guarda chuva em você.
Passar bem.



sexta-feira, 6 de novembro de 2009

I've got sunshine on a cloudy day.


Não sou acostumada com monotonia. Nunca fui. Lembro que desde a época de escola quando alguma coisa começava a se tornar repetitiva demais eu já reclamava. Era sempre o mesmo cheeseburguer, sempre a mesma Coca e sempre o mesmo Chokito na hora do lanche. Eram sempre as mesmas pessoas na lotação de volta pra casa. Sempre os mesmos papos... e eu, no auge dos meus grandiosos 16 anos, pensando que um dia tudo isso mudaria. Pensava que, quando eu crescesse, não iria ter a obrigação de suportar as mesmas pessoas todo santo dia, nem os mesmos papos chatos, nem nada de coisas que fossem tão repetitivas.
Terminar logo o colégio era a minha salvação pra me livrar de tudo aquilo. Eu tinha só 16 anos, pros 18 ainda faltavam 2, e eu achava que tinha muito o que estudar/namorar/passear até ter idade suficiente para arrumar um emprego de gente grande.
Agora, com 21, mesmo não tendo o salário de gente grande que eu prentendia, tenho um emprego que me mostra todos os dias o quanto eu cresci e amadureci. Não tem cheeseburguer na cantina, mal me sobra dinheiro no final do mês pra sequer comprar um Chokito, as pessoas mudaram, e eu que reclamava tanto por ter que aguentar as mesmas caras no colégio, hoje não sei o que fazer quando tenho que pegar o tal do 160, todos os dias, sempre às 9:40.
Acho estranha essa situação de conhecer as pessoas, mas não saber o nome delas. Saber o tipo de roupa que elas gostam de usar, e nem sequer saber onde elas trabalham. Sentar ao lado delas e nem dar bom dia mesmo que elas não sejam pessoas estranhas.
Por acordar atrasada quase todos os dias acabei trocando o 160 pelo 825. Achei chato. Além de me cobrarem R$1,00 a mais não tem as pessoas que eu conheço. Após uns meses sem o 160 na minha vida, e com uns reais a menos no bolso, consegui ajeitar meu horário. Quando consegui pegá-lo novamente, achei engraçado que, assim que entrei no ônibus, o rapaz da mochila vermelha olhou pra mim e deu um sorriso como se dissesse "ei, você ainda pega esse ônibus".Ele não sabe meu nome, eu não sei o dele, muito menos o da moça que sempre senta na frente dele, mas é estranho e feliz ao mesmo tempo saber que as pessoas parecem sentir a sua falta sem nem ao menos te conhecerem.
No metrô também sempre foi assim. 17:20 e as mesmas pessoas esperando o mesmo vagão de todos os dias. Há muito tempo não via o senhor da mochila preta que sempre desce atrasado na estação dele, nem a moça que parece irmã de uma amiga minha, nem o menino que tem cara de inteligente e que eu sempre tenho a impressão de que ele deve ser meu concorrente no vestibular.
Na quarta o senhor estava lá e me olhou com uma cara de quem não me via há muito tempo. Quando sentei e olhei pra fora, vi o menino com cara de inteligente e, antes que eu fosse embora, ele olhou pra mim e sorriu.
E, mesmo não conhecendo essas pessoas, nem sabendo o nome delas, tenho achado uma graça que a vida seja realmente tão estranha a ponto de nos permitir fazer diferença na vida de quem a gente menos imagina.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

_schmetterling


Eu nunca entendi qual seria a utilidade de se ter um Twitter. Se é que tem utilidade. Se é que há alguma explicação para o meu problema em querer ver utilidade em tudo.
Então.
Pensando bem, até que serve pra acompanhar as notícias, as fofocas, os casamentos/mortes/nascimentos nas novelas, a prisão do Zina, enfim... mas eu nunca soube o porquê de se ter um Twitter e acho que nunca vou entender.

Eu não sei usar direito. Nem tenho tantos assuntos pra fofocar. As coisas que eu faço no dia a dia nem são tão interessantes assim. Tô pagando a língua por falar mal, mas não resisti.

http://twitter.com/_schmetterling

Nasceu.
Twitta eu?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Paaaassa pra casa!




Eu odeio seus xiliques. Odeio seus gritos de manhã me acordando. Odeio quando você abre a porta do meu quarto de um jeito que parece que a parede toda vai cair. Odeio você reclamando das coisas. Odeio você buzinando com o seu "anda looogo!". Odeio o seu "veremos se você vai"...
Duas semanas sem os seus xiliques já é tempo demais.
Se eu soubesse desenhar mapas, como você mesma diz, você "já teria tomado o rumo de casa!"

Já perdeu a graça, mãe. Vem embora!

domingo, 5 de julho de 2009

Observe eu não me importar.

Estou ficando velha. Fato. Chego à essa conclusão não por querer ter minha casa, nem por pensar em começar a construir minha família, nem por querer um relacionamento sério e duradouro com alguém com quem eu realmente possa encher a boca pra chamar de meu.
Antes fosse pelos meus míseros 21 anos ou só pelas cobranças que as pessoas depositam sobre mim sem nem ao menos perguntarem se eu suporto tamanho fardo. Pra mim, quando começamos a dar valor demais a determinadas coisas e aceitamos abrir mãos de outras sem nem ao menos perguntar a nós mesmos o porquê disso, a conclusão é só uma: velhice.
Sempre observei demais as pessoas. E, por observar demais, sempre enxerguei coisas que ninguém nunca viu; sempre suportei certas futilidades que, hoje, não consigo armazenar de forma lógica. Por observar demais nunca me permiti ser tiete de carinhas com perninhas e bracinhos cheios de tatuagens.Não que eu nunca tivesse achado aquilo tudo muito bonito, mas nunca me agradou que, no meio de todo aquele monte de tinta, o cérebro - parte principal pelo menos pra mim - continua branco como papel.
Velhice. Já não me importo mais quando conto nos dedos as pessoas que realmente têm importância na minha vida e não me assusto quando vejo que a quantidade delas não chega nem a completar os dedos da outra mão.
E, no ônibus, ao invés de prestar atenção em carinhas bonitinhos,ando prefirindo olhar pra fora e, mesmo com todo aquele engarrafamento,continuo alimentando a idéia de que eu preciso de um carro.
Foi-se o tempo em que eu faltava morrer quando começava a me ver sozinha ou quando não ia ter pra onde ir no fim de semana, nem com quem ir. Foi-se o tempo em que as pessoas que saem da minha vida me faziam falta. Hoje enxergo que aqueles que voltam pra mim, ao invés de me pertencerem, voltam porque são dignos de me terem por perto.
Talvez o meu problema sempre foi me importar demais com as pessoas. Me importar até mesmo sem nunca saber o porquê disso. Ou eu não gosto de verdade, ou eu gosto por uma vida inteira. E, por gostar por uma vida inteira, quebrei e continuo quebrando a cara muitas e muitas vezes.
E nessa de ir e vir, de querer sumir e voltar, de gostar demais e odiar, minha nova velhice ao menos me serviu pra fortalecer o que já me pertencia: a boa e velha indiferença. Não que eu goste de usá-la com quem realmente me importa. Mas, quando é preciso, dou uma de vovó e banco a indiferente sim.
Não pra machucar... O bom disso tudo é ver que a minha indiferença incomoda. E como incomoda!