sexta-feira, 6 de novembro de 2009

I've got sunshine on a cloudy day.


Não sou acostumada com monotonia. Nunca fui. Lembro que desde a época de escola quando alguma coisa começava a se tornar repetitiva demais eu já reclamava. Era sempre o mesmo cheeseburguer, sempre a mesma Coca e sempre o mesmo Chokito na hora do lanche. Eram sempre as mesmas pessoas na lotação de volta pra casa. Sempre os mesmos papos... e eu, no auge dos meus grandiosos 16 anos, pensando que um dia tudo isso mudaria. Pensava que, quando eu crescesse, não iria ter a obrigação de suportar as mesmas pessoas todo santo dia, nem os mesmos papos chatos, nem nada de coisas que fossem tão repetitivas.
Terminar logo o colégio era a minha salvação pra me livrar de tudo aquilo. Eu tinha só 16 anos, pros 18 ainda faltavam 2, e eu achava que tinha muito o que estudar/namorar/passear até ter idade suficiente para arrumar um emprego de gente grande.
Agora, com 21, mesmo não tendo o salário de gente grande que eu prentendia, tenho um emprego que me mostra todos os dias o quanto eu cresci e amadureci. Não tem cheeseburguer na cantina, mal me sobra dinheiro no final do mês pra sequer comprar um Chokito, as pessoas mudaram, e eu que reclamava tanto por ter que aguentar as mesmas caras no colégio, hoje não sei o que fazer quando tenho que pegar o tal do 160, todos os dias, sempre às 9:40.
Acho estranha essa situação de conhecer as pessoas, mas não saber o nome delas. Saber o tipo de roupa que elas gostam de usar, e nem sequer saber onde elas trabalham. Sentar ao lado delas e nem dar bom dia mesmo que elas não sejam pessoas estranhas.
Por acordar atrasada quase todos os dias acabei trocando o 160 pelo 825. Achei chato. Além de me cobrarem R$1,00 a mais não tem as pessoas que eu conheço. Após uns meses sem o 160 na minha vida, e com uns reais a menos no bolso, consegui ajeitar meu horário. Quando consegui pegá-lo novamente, achei engraçado que, assim que entrei no ônibus, o rapaz da mochila vermelha olhou pra mim e deu um sorriso como se dissesse "ei, você ainda pega esse ônibus".Ele não sabe meu nome, eu não sei o dele, muito menos o da moça que sempre senta na frente dele, mas é estranho e feliz ao mesmo tempo saber que as pessoas parecem sentir a sua falta sem nem ao menos te conhecerem.
No metrô também sempre foi assim. 17:20 e as mesmas pessoas esperando o mesmo vagão de todos os dias. Há muito tempo não via o senhor da mochila preta que sempre desce atrasado na estação dele, nem a moça que parece irmã de uma amiga minha, nem o menino que tem cara de inteligente e que eu sempre tenho a impressão de que ele deve ser meu concorrente no vestibular.
Na quarta o senhor estava lá e me olhou com uma cara de quem não me via há muito tempo. Quando sentei e olhei pra fora, vi o menino com cara de inteligente e, antes que eu fosse embora, ele olhou pra mim e sorriu.
E, mesmo não conhecendo essas pessoas, nem sabendo o nome delas, tenho achado uma graça que a vida seja realmente tão estranha a ponto de nos permitir fazer diferença na vida de quem a gente menos imagina.

5 comentários:

Nova Quahog disse...

GOSTEI DA GOZADA :D

Willian F. disse...

Apesar do meu blog estar em processo de desertificação, as vezes entro aqui para dar uma olhada se tem algo novo. Quase nunca tem.
Gosto quando você escreve. Escreve com sentimento, por isso gosto.

Gostei bastante do texto. Acho que preciso ser menos monótono.

Uma dica: Escreva mais se puder.

bj...

Mandy disse...

Odeio monotonia! Também acabo enjoando muito fácil das coisas...
Sempre tô inovando!

^^

BjO

Maria Clara disse...

monotonia é o mesmo que mesmice,e se há algo que me irrita é isso! rotinas,coisas constantes, tudo isso me deixa estressada. hihihi

é bom ver que a gente é importante,seja na vida de desconhecidos ou de amigos,seja muito importante,ou só um pouquinho. só pelo fato de lembrarem da gente,já é bom né ? =)

Carolina Vilela disse...

Nossa, amei seu blog *_* To seguindo e amei esse texto, você escreve bem haha bjs