domingo, 27 de junho de 2010

.Achograça.

Quando me descabelo por minha irresponsabilidade de deixar pra fazer praticamente uma monografia em 3 dias,mesmo sabendo que não ia dar tempo. Quando vou dormir às 2 e tantas da manhã sendo que tenho que acordar às 5:30. Quando saio correndo desnorteada pra pedir colo pras amigas quando minha cabeça está pra explodir com tanta coisa pra estudar. Quando quase choro de saudade do namorado. Quando lembro que a namorada aqui tem 22 anos na cara e ainda fica de recuperação.Quando quase choro por não conseguir fazer o trabalho enorme de 3 dias. Quando jogo tudo pro alto e saio pra ver os amigos e falar um monte de bosta sem nenhum peso na consciência, mesmo tendo trilhões de coisas pra fazer.

Há que se achar graça.

Quando você, às 10 da noite de um domingo, tem que esperar seu amigo acabar de contar a história da vida dele para então resolver lanchar para vocês irem embora. Quando não cabe todo mundo no mesmo carro e a gente faz do carro das amigas um coração de mãe. Quando ir lanchar na padaria parece ser a coisa mais legal do mundo. Quando você serve de conselheira sentimental quando nem os seus próprios sentimentos você consegue resolver direito.

Só rindo.

Quando sua amiga te esculhamba no telefone por você não ter mais tempo pra ela. Quando seu amigo gay canta "Vou te comeeer, vou te comeeer,vou te comeeer" em alto e bom som no meio da rua. Quando sua conhecida, de tão bêbada, dá cambalhotas no meio da rua e agride seu amigo sem nem ter um porquê.

É...Apesar dos sustos, da saudade, do cansaço e da preocupação com um trabalho que não ficou tão bom e que corre um sério risco de tomar um "insatisfatório", a vida até que é engraçada. E, se ela realmente tem a cor que a gente pinta, a minha até que tá começando a ficar bem coloridinha.

Boa semana aí pros ventos a meu favor.




quinta-feira, 24 de junho de 2010

Querido esteto,




Há dias que a gente não se entende, eu sei. Talvez eu tenha te estressado por te carregar para o outro lado da cidade quase todos os dias, talvez seja só cansaço ou pode até ser a minha preguiça acumulada que esteja afetando você, pobre coitado.
Mas a culpa pela nossa falta de comunicação não é sua, acredite. Muito pelo contrário! Eu te esperei por tantos anos com uma expectativa de criança que espera pelo presente de natal, que você acabou se tornando uma das coisas mais preciosas que eu já pude ter.
Sabe, eu sempre me impressionei com a sua capacidade de fazer saber o que se passa dentro das pessoas. Psicologia pra quê se eu tenho você? É você quem vai lá no fundo buscar aquele coraçãozinho já cansado de bater e de tanto apanhar dessa vida conturbada; é você quem mostra as marcas deixadas pelos amores e desamores de cada um... é você quem mostra a vida.
Mesmo magoada com você, eu não deixo de te achar a coisinha mais linda do mundo; tão feito pra mim, tão meu orgulho. Você pode ter os seus maus dias, sim. Eu te entendo.
O que não anda entrando nessa cabeça que falta pouco pra surtar é o fato de você me deixar ouvir tantas pessoas e me fazer estudar tanto pra conseguir entender quase tudo mas, quando é comigo, você não responde. É como se eu estivesse lidando com o vácuo.
Será que eu tô ficando surda, tô te colocando no lugar errado ou, por eu nunca escutar quando deveria, meu coração cansou de querer aparecer pra mim?
... mais quantos livros enormes eu tenho que pegar na biblioteca pra dar conta de resolver isso?
Me ajuda aí, seu esteto! Tá ficando complicado.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Nem 8, bem mais que 80.

Inveja não é uma coisa boa,eu sei. Mas, se tem algo que me faz remoer por dentro até quase surtar,o nome é paciência alheia. Quando paro para pensar nas milhares de vezes em que tentei ser um pouco mais tolerante com as coisas acabo sempre dando risada de mim mesma.
Não é que eu seja um poço de ignorância ou praticamente um projeto ambulante de dinamite pronta para explodir a qualquer hora; eu só não tenho paciência. De nenhuma forma, com coisa alguma.
Os pacientes pra mim tem um dom. Um dom que eu não adquiri, que não me ensinaram, que eu não fiz e não faço a mínima questão de correr atrás... um dom que a grande maioria das pessoas que me cercam possuem, mas que jamais conseguiram me transmitir.A minha gastrite não cura, o coração vive disparado e a vida parece uma montanha russa. Se eu morrer nova nem vou exigir explicação de quem quer que seja lá em cima. O motivo vai ser um só: eu não tive paciência para esperar a velhice chegar.
Ah,como eu queria ser uma pessoa mais centrada; ou mais controlada, como dizem as amigas. "Dani, tenha calma!" , "Dani,tenha paciência!" , "Dani, respira fundo!". Eu não consigo.
Me falta o ar quando eu tenho que parar na faixa de pedestre pra alguém passar. Pra mim,buzina foi a coisa mais maravilhosa que Deus já inventou.
Eu não tenho paciência com filas, com gente gritando perto de mim... eu não tenho paciência com mães irresponsáveis, com gente que fala demais, com gente que fala o que não sabe, com gente que maltrata os outros e finge que nada aconteceu. E, principalmente, com gente que faz de conta que nada aconteceu mesmo.
Eu não tenho paciência pra correr praticamente 2000 metros para passar naquela prova; inteligência não se mede com as pernas, muito menos com as 3 caixas de chocolate que eu comi por não ter paciência pra esperar meu regime começar a fazer efeito.
Eu não aguento ficar pendurada naquela barra por infinitos 11 segundos. Eu não suporto gente que não fala as coisas na cara.
Por essas e por outras coisas é que eu acho que esse é um mundinho bom de ir pro buraco mesmo. Só sei que o melhor que eu faço é continuar a minha vida de tentar ter calma, de ser mais controlada, de respirar fundo...


Porque tem horas que o que eu queria mesmo é ver o oco.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

.

... e quando eu penso que você chegou pra ficar na minha vida de uma vez por todas sempre acontece algo e você se vai. Eu sei das merdas que eu faço, sei das bobagens que falo, sei quem são as pessoas que eu machuco, mas isso não te dá o direito de sair pela primeira porta que você encontra pela frente.
Engraçado que eu já deixei de ter paciência com tantas coisas nesse mundo e, exatamente no momento em que eu começo a achar que as coisas estão se ajeitando e eu estou me tornando uma pessoa mais tolerável, quem passa a não ter mais paciência comigo é você.
É uma sensação de que tudo escapou entre os meus dedos como água. É quase a certeza plena de que o que eu projeto pra mim não tem que ser necessariamente meu.
Não existe pior sentimento no mundo do que a falta. A falta de uma vida completa, a falta de fazer as pessoas felizes, a falta do "eu te amo" que faz o estômago revirar.
Eu quero uma vida de verdade. Conquistas de verdade. Um amor de verdade daqueles que nos arrepia só de pegar na mão. Um alguém pra ser verdadeiramente meu. Só meu. E de mais ninguém.

Não me entristeça,dona felicidade.

Não me entristeça.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Pai,


Essa semana eu parei pra pensar em todas as coisas que eu já pedi, em todas as reclamações que você já ouviu de mim, em todos os xiliques que eu já dei por você não dar na hora o que eu pedia. Muitas vezes você não me ouviu, eu sei. Não me ouviu, mas não por maldade, mas pra ver se eu parava de agir como uma criança mimada que só olhava pro próprio umbigo e que achava que a minha hora era a certa. Me ensinaram que você é o dono de tudo e que tudo que eu pedisse você me daria.. era só saber pedir. E eu soube, mas não soube ter calma. Talvez por isso eu dei tantos xiliques por aí e queria te culpar pelas coisas que nunca aconteciam.
E o ano passado? Lembra quando eu voltava chorando da faculdade, morrendo de medo e exausta por não aguentar mais gastar o meu salário todo com um curso que eu não queria fazer? 2009, se não tivesse sido salvo por algumas coisas, seria o pior ano de todos os meus 21 anos de existência. E você viu. Só você viu. Só você estava comigo o tempo todo não so enxergando as lágrimas que todo mundo via, mas enxergando o que realmente estava em mim. Você viu meu coração, você viu meu desespero.
Lembra daquele dia de chuva em que eu falei com você que não aguentava mais e que eu estava desistindo de tudo a partir daquele momento? De todos os meus choros,aquele vai ser o que eu nunca mais vou esquecer, passe o tempo que passar.
Eu nunca entendi o que você quis pra mim. Eu nunca me achei capaz de merecer tamanha confiança de sua parte. Eu era uma zé ninguém de um buraco qualquer que nem nome pra aparecer por aí tinha... nem força pra gritar mais os meus porquês pra você eu tinha.
E aquela sensação de que a vida estava passando enquanto eu nadava,nadava,nadava e não saía do lugar? E aquela vontade de ficar deitada o dia inteiro por ter cansado de enfrentar esse mundão que você criou? Só você viu tudo isso. Só eu sofri calada com tudo isso, mergulhada nas minhas dúvidas, enquanto você também ficava calado o tempo todo.
Me desculpe por muitas vezes ter sido injusta com você, por ter colocado na minha cabeça que até você, definitivamente, tinha cansado de mim e me largado de uma vez por todas. Você teve todos os motivos pra isso, e não fez. Me desculpe por duvidar de tantas coisas que você já me prometeu.. é que quando eu cheguei no fundo do poço, a minha mola já não funcionava mais.
Só você viu no meu coração a sensação que eu tive por 2009 ter ido embora. Meu ano novo não foi lá essas coisas, mas eu voltei a te enxergar com uma pontinha de esperança. Com uma cara de que tinha que ter uma luz no fim do túnel. Tinha que ter você,que sempre foi a minha luz.
Mal começou o ano e você tirou de mim todo o peso que eu sentia. Foi você quem fez aquela prova ter ficado fácil, foi você quem me deu calma, foi você que falou dentro de mim em meio aquela bagunça toda de tambores da fepecs, em meio aquele mundo de gente da UnB."Escuta o som da tua aprovação",você disse. E, mesmo que naquele momento eu ainda me considerasse uma zé ninguém, você me fez sentir a pessoa mais importante do mundo. Mais do que o meu choro naquela noite de chuva, o som daqueles tambores ecoam na minha mente até hoje.
E,hoje, quando eu paro pra pensar no milagre que você fez na minha vida em 2 meses, fica difícil acreditar que isso tudo não é um sonho. Você me tirou do fundo do poço, da lama, me deu 3 aprovações e o nome que eu não tinha, até quem não me conhece não o tira da boca quando fala do que eu conquistei. Foi você.
Eu era a Daniella terceirizada, que todo mundo faz o que bem entende. Hoje, eu sou a Daniella concursada que vai sair de lá pra ganhar 4 vezes mais. Eu era a Daniella que fazia uma faculdade que ninguém sabia o nome, hoje eu sou a Daniella que estuda na UnB. E,se for da sua vontade, daqui uns dias, na Fepecs. O que me impressiona é saber que ainda tem gente que não acredita em você.
Sabe, um dia me perguntaram quem era meu ídolo...e eu falei que é você. Perguntaram o que eu te falaria se um dia eu te encontrasse, e eu respondi que só agradeceria.Mais nada. Eu ainda não te encontrei, mas só você sabe o quanto eu te agradeço por tudo.
Quando eu olho pro céu agora, meus olhos ainda enchem d'água, mas o que vem na minha cabeça não é mais aquele "Deus, me salva!", mas sim o meu "Muito obrigada, papai! Muito obrigada mesmo!"
Você sim é o responsável por tudo isso. Eu posso passar 1 milhão de anos te agradecendo, que não atingiria nem 0,5 % do que eu ando sentindo. E a cara da minha mãe,então? Só você mesmo!


Eu amo você! Amo muito.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Mas ainda sei me virar.

Ando boba. Daquelas de querer sair dando bom dia à cavalo, de querer saber tudo sobre a vida de qualquer pessoa, de querer passar horas e horas sentada em algum banco de praça sem ter a menor pressa de voltar pra casa enquanto a vida passa.
É uma bobice tão indefinida que, enquanto a amiga diz que é "porque tá apaixonada", a irmã já pergunta se ando chateada. Não. Não é paixão, não é chateação. É bobeira mesmo.
É uma vontade tão grande de abraçar quem quer que apareça e de receber o abraço de quem tanto me faz bem. É fome de alegria! A necessidade de falar tanto pra tanta gente é tão grande que provavelmente esse mundão de Deus ficaria pequeno pra mim.

É saudade... de todas as coisas que eu já fiz. Saudade da minha coragem de enfrentar a vida. Saudade de mim mesma. Só de mim.



Mais ninguém.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Tudo bem. :)

Hoje, no tumulto da rodoviária, uma velhinha furou a fila e entrou na minha frente. Achei graça por ela ficar disfarçando pra ela mesma o que todo mundo tinha visto. De cinco em cinco minutos ela olhava pra minha cara, talvez pensando "será que ela não vai falar nada?", e eu a olhava com uma cara feia de uma criança de 2 anos e meio mas não conseguia mandá-la ir para o final da fila.
Não sei se foi o tamanho cansaço que me impediu de falar, ou meus tímpanos quase estourados por causa da minha música preferida que tava tocando na hora, ou se foi Deus que calou a minha boca para que eu não começasse a falar um monte de asneiras para aquela velhinha furona de fila.
Depois de meia hora em que ela não aguentava mais olhar para mim, ela se virou e me pediu desculpas por ter entrado na minha frente. "Eu não vi que a fila terminava lááá atrás". É claro que ela tinha visto, é claro que ela sabia que ela tinha feito uma coisa errada... mas o sorriso que ela me deu ao me pedir desculpas me fez perder toda a vontade de falar umas boas para ela. "Tudo bem", eu disse. E dei um sorriso de volta.
Hoje eu tive todos os motivos do mundo para dar um xilique no trabalho e, definitivamente, jogar as cartas na mesa por não aguentar mais trabalhar tanto por tão pouco. Eu não aguento mais. Mas, ao mesmo tempo, é tão intensa a voz que eu ouço dentro de mim me dizendo para ser forte mesmo que eu continue me desmanchando em prantos feito um bebê.
Hoje eu consegui sorrir para a pessoa que eu menos suportava na vida. E foi um sorriso tão sincero que se eu tivesse que repeti-lo não conseguiria.
Hoje eu ganhei um presente de quem eu menos esperava. Ajudei quem precisou de mim. Agradeci imensamente pela vida que eu tenho, mesmo com todos os problemas, com todas as frustrações e cansaço acumulado. Hoje eu aprendi de uma só vez tudo aquilo que as pessoas que eu mais amo já me falaram a vida toda...
Mesmo com o céu nublado e um dia não tão bonito eu não sei como consegui enxergar tantas cores. E, por mais que as pessoas sejam erradas, a única coisa que eu quero é lembrar delas por coisas boas que me fizeram. Tudo já foi muito cinza por aqui. E, cinza, a gente joga no mar, onde há cores, onde há vida!
É dezembro, e não tem nada de espírito natalino. Se isso não se chama Deus, não me ensinaram outro nome.